Relacionamento Estável

Trecho de uma pesquisa por mim realizada em 2001

Relacionamento Estável


                            Sobre o relacionamento em linhas gerais já foi especificado em capítulo anterior, mas para uma definição mais completa sobre o que seja estável, sentimos a necessidade de buscar no direito nacional e nos conceitos físicos da termodinâmica.
O que aqui apresentamos é uma introdução ao assunto, tendo em vista que o mais importante para a pesquisa será os aspectos psicológicos do relacionamento conjugal.
O direito no Código Civil (2001) no artigo 231 faz uma distinção entre união estável e casamento, o primeiro é considerado como, sendo um relacionamento por um determinado tempo com o objetivo de formar uma família, um patrimônio, fidelidade recíproca, vida comum, entre outros, já o casamento tem todos estes aspectos mas envolve um ato solene, onde há uma demonstração de uma manifestação espontânea da vontade de cada interessado.
Na física o conceito de estabilidade e/ou equilíbrio nos diz que “aprendemos logo, pela experiência que ao colocarmos um corpo quente em contato com um corpo frio, o corpo quente resfria e o corpo frio aquece”. (Wylen e Sonntag 1970, pg 30)
Segundo a física estabilidade ocorre quando dois corpos com características de temperatura diferentes entram em contato um com o outro, havendo uma troca entre os mesmos, ocorrendo assim um equilíbrio. De acordo com Wylen e Sonntag (1970, pg 459) “um requisito para o equilíbrio é que um sistema, precisa estar em temperatura uniforme”.
Com base nestes conceitos consideramos que um relacionamento para ser estável deve ter um tempo de convivência em comum, com objetivos de formar uma família, de dependência financeira entre os parceiros e fidelidade recíproca, mas além destes fatores o casal deve buscar o equilíbrio através de trocas que sua relação possui, onde os parceiros contribuem mutuamente para o bem estar do casal, assim como na física termodinâmica os dois corpos encontram equilíbrio quando estão em temperatura uniforme.
Um relacionamento estável poderia ser aquele em que os parceiros cedem em alguns aspectos de sua personalidade, vontade, escolha, opções, princípios a fim de atender e ser recebido pelo outro, que através de uma atitude análoga do outro possam adquirir a estabilidade no relacionamento.
O que freqüentemente encontramos na sociedade onde os relacionamentos conjugais ocorrem é que este equilíbrio não está ocorrendo, o corpo aquecido na física sabe pela sua natureza a quantidade exata que deve passar de calor para o outro corpo, a fim de encontrar a estabilidade, o corpo deixa de estar muito aquecido, para receber o frio do outro corpo, é uma situação de extrema troca e de uma natureza logicamente fantástica, pois se o inverso ocorresse os 2 corpos poderiam explodir, deixar de existir, ou ainda um se anularia totalmente em prol do outro, ou seria extremamente frio ou extremamente quente.
Nos relacionamentos conjugais atuais, parece-nos que tem faltado o conhecimento de quanto posso dar e principalmente de quanto preciso receber do outro, a troca entre eles não tem sido feita de uma forma sábia assim como vimos na natureza, mas por quê?
Não buscamos aqui respostas exatas que fechem o problema até porque consideramos isto ser impossível, mas pretendemos colaborar numa melhor compreensão acerca de relacionamentos conjugais mais equilibrados e estáveis.
Considerando ainda que “não existe natureza humana; há um homem que se atualizará, que se realizará, se as condições adequadas forem dadas. Há uma natureza em cada homem, natureza esta que o faz homem e que determina suas possibilidades”. (Bock, 1997, pg 37)
De acordo com Sartre (1978, pg 05), “a existência precede a essência”, primeiramente o homem existe para somente depois se tornar alguma coisa, o homem é lançado ao mundo e “está condenado a ser livre”, e está liberdade implica responsabilidade por seus atos e escolhas, então podemos dizer que é o próprio casal o responsável pelo seu relacionamento, seja ele um sucesso ou um fracasso.
Muitas vezes o ser não dá conta de entender o seu comportamento de uma forma racional, ele não compreende tudo o que envolve suas escolhas e por este motivo, pode não ter a compreensão de quanto deve dar de si para o outro e de quanto deve receber do outro.

Então torna-se significativo para a pessoa conhecer-se, e isto implica em saber sobre sí próprio, sua auto-estima, seu auto-conceito, suas fantasias, seus ideais, sobre sua realidade.

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